Banner com mulher segurando celular em uma mão e a outra mão apoiada em óculos, com cara de desconfiada, e em primeiro plano balão de conversa com a frase "oi sumida, quanto tempo"

Do ghosting ao “oi sumido, quanto tempo”: os fins sem pontos finais

E aí você está em uma conversa perfeita com o(a) crush, tudo lindo e maravilhoso, fluindo perfeitamente. A pessoa é boa de papo, o diálogo é instigante e envolvente, você não vê a hora de acordar e começar um novo dia para confererir com um sorriso bobo no rosto a mensagem de “bom dia” que te espera (só que não).

Aparentemente, o amor está no ar e você pensa: chegou o meu momento, o dia em que os humilhados serão exaltados. E de repente, como já dizia Vinícius de Moraes, não mais que de repente “Fez-se de triste o que se fez amante // E de sozinho o que se fez contente”.

O seu/sua crush desapareceu do mapa, passou a não responder às suas mensagens, sumiu sem perspectiva de volta, quase um espectro, eis a questão: era real ou foi apenas um delírio?

Atire a primeira pedra quem nunca passou por uma situação como essa. O famoso ghosting é algo a que buscamos nos vedar constantemente ao início de toda e qualquer relação afetiva, afinal, nesse jogo do amor nunca parece que as regras estão tão claras, embora a frustração pareça sempre iminente e, quase sempre, dolorosa.

Amar é arriscar-se e entregar-se ao desconhecido. Nesse caso, é estar ciente de que o ghosting não pode ser premeditado ou antecipado. Considerando que as relações afetivas são dialógicas, as ações do outro são quase sempre um grande mistério e aquilo que as motivou também.

Mas podemos prospectar algumas possíveis causas que possam motivar o ghosting e talvez clarear um pouquinho a sua mente sobre o que pode ter impulsionado o sumiço súbito do @ e aquecer o seu coraçãozinho partido com dicas práticas para um próximo começo… Vem com a gente!

Revelando a lógica por detrás do ghosting

Em tempos digitais, é muito comum percebermos uma certa frequência de instabilidade em nossos diálogos, ou seja, aquela falta de continuidade comunicativa nas plataformas virtuais.

Você certamente já deve ter começado um diálogo virtual com uma pessoa que gostava muito e logo após se sentiu frustrade com o sumiço abrupto dessa pessoa. Talvez, já esteve na posição contrária de sumir da vida de alguém, sem ao menos dizer adeus.

Estamos acostumados com narrativas cujo enredo se desenrola conforme o script: início, meio e fim, o que nos causa certa ansiedade e falta de compreensão com aqueles capítulos da vida que não conseguimos finalizar.

A falta de pontos finais nos traz a impressão de que as relações sempre estão em constante fluidez, seguidas por vírgulas e talvez algumas conjunções aditivas. E, minha gente, para aqueles que não conseguem largar um livro pela metade, a ruptura de uma relação sem a previsão de um final pode ser desastrosa.

Tudo isso para chegarmos ao famigerado: ghosting. Você talvez já tenha ouvido falar neste conceito e quem sabe já esteja acostumade com a sua lógica mais do que lhe é possível sentir. Em termos simples, o ghosting deriva de ghost, sendo um termo usado para designar os famosos fantasmas afetivos. Mas, o que isso tem a ver com relações?

O termo ghosting é muito levantado nos dias atuais para designar aquele término súbito feito pela ausência de uma das partes, que partiu sem direito a um cartão postal ou algumas explicações sobre o término do relacionamento. Quem vai carrega a alcunha de fantasma devido ao desaparecimento misterioso; quem fica: saudade.

A dificuldade de lidar com a quebra de um diálogo e, mais, de prospectar os motivos do/da crush ter te dado um perdido não é algo que pode te tirar apenas algumas noites de sono, mas também a sua autoestima, fazendo com que muitos se questionem sobre o quanto são suficientes para estar em uma relação.

Banner explicativo sobre o início e fim de uma conversa

Perceba o quão sutil é isso, galera. Não é como se o outro virasse para você e mandasse aquela desculpinha esfarrapada: não é você, sou eu. Estamos falando da inexistência de porquês, de explicações sólidas sobre um afastamento. Sobre a falta de uma presença que há poucos dias te transbordava e se fazia querer estar ali.

Algumas possíveis causas da morte súbita do interesse

Como vimos, em se tratando de ghosting, conversas que aparentemente possuem solidez acabam perdendo continuidade devido à falta de reciprocidade da outra parte, que se um dia se fez presente, hoje já não se vê. O ponto é: por que raios isso acontece? Bora tentar descobrir. Confira agora algumas possíveis causas:

  • Atemporalidade do meio virtual

Galera, o ghosting não é algo inédito, mas com certeza podemos afirmar que os aplicativos de relacionamentos e as mídias sociais como um todo são solos férteis para a prática. E por que, né?!

Bem, podemos teorizar um pouquinho sobre isso. Sentimos em te dizer que o meio virtual não possui uma linearidade. Em outras palavras, as plataformas digitais possuem um fluxo contínuo de tempo, espaço e, claro, conteúdo, sem a necessidade de um termo explícito para começar ou para terminar.

Mas é óbvio que essa atemporalidade diz respeito ao virtual. Afinal, cada vez que você abre o Tinder, dá um match, engaja-se em um papo e no ápice da conversa percebe que a garota ou o garoto some e volta uma semana depois como se nada tivesse acontecido com um “oi, sumido(a)”, como se o tempo e a vida tivesse permanecido estáticos, uma estrelinha morre no céu.

Pode ser que dentro de você resida aquele meme da Nazaré Tedesco e que prontamente você pense: “Amadah, o que aconteceu contigo?”. Mas, em se tratando das plataformas virtuais, somos os “sumidos” e “aparecidos” na mesma proporção.

Há a ideia de que no virtual as narrativas lacunares fazem parte do processo. O sumiço, por mais que súbito em uma plataforma virtual, dói menos que um sumiço na superfície da realidade.

Mas, não podemos deixar de considerar que por detrás da atemporalidade dos meios virtuais e dos perfis dos aplicativos de relacionamento, há pessoas reais com sentimentos palpáveis e talvez, só talvez, os meios virtuais sejam virtuais demais para aplacar remorsos tão verdadeiros.

  • Objetificação das relações afetivas

Está na cara que as relações amorosas contemporâneas são em grande medida marcadas pela lógica de mercado, de modo que as pessoas nunca foram tão objetificadas como são hoje.

Os aplicativos nos propiciaram diversas formas de socialização e comodidade, mas, ao mesmo tempo, mostraram-nos que não somos capazes de construir narrativas lineares, porque nossas relações estão amparadas na seguinte lógica: sujeito-objeto.

O que queremos dizer é que a partir do “cardápio” dos apps para relacionamentos, deixamos de identificar o outro enquanto sujeito para fazer dele um objeto de satisfação de nossos prazeres, sobretudo, sexuais. Logo, as relações, para muitos, têm um tempo limite da satisfação de seus impulsos sexuais.

É difícil dizer isso, mas para muitas pessoas você será apenas mais um match. E sua presença será facilmente substituída pelo próximo match e assim sucessivamente. É instigante e doloroso, se considerarmos que, dentro dessa perspectiva, sumir faz parte do processo de se relacionar.

  • Relações mais egocentradas

Nossas relações estão cada vez mais egocentradas. O tempo de convívio que podemos desprender com o próximo é o tempo em que este está disposto a nos ouvir, falando de nosso assunto predileto: nós mesmos.

Faça um exercício simples, pegue uma conversa aleatória com alguém que você acreditava que o papo estava fluindo bem, mas que acabou em um ghosting. Pesquise na conversa a palavra “eu” e veja quantas vezes ela incide.

Com a nossa explícita dificuldade em estabelecer uma narrativa e uma conversa sólida, quanto tempo você acha que é possível não morrer de tédio ouvindo alguém falar apenas de si mesmo? Talvez, o tempo do desfazer do match.

  • Falta de responsabilidade afetiva

Então, embora todos esses condicionantes, grande parte dos ghosting é propulsionada pela falta de responsabilidade afetiva e educação emocional. Não tem como passar pano para alecrim do pântano, pessoal.

Há pessoas que realmente não se importam com os sentimentos do outro e não medem esforços para fazer da conversa um jogo de interesse. Você provavelmente já se sentiu cozinhade por alguém.

Puxa aí na memória aquele alecrim do pântano que te envolveu com belas palavras, te prometeu o céu e não deu dois tempos, sumiu do mapa e nem o FBI das suas amigas encontrou o ser de luz. É triste. O ponto é que não tem como ficar predizendo o caráter de ninguém, principalmente quando estamos envolvidos em um jogo de manipulação.

Como lidar com o ghosting sem neura

Sabemos que talvez muitos estejam pensando que o ghosting poderia ser facilmente prevenido se expectativas não fossem criadas sobre a relação. Mas, calma, meus amores. O simples fato de nos blindarmos contra a construção de expectativas sobre uma relação já é em si a criação de uma expectativa, seja esta: não me envolver.

Até aqui você já deve ter compreendido algumas possíveis motivações do famigerado ghosting, mas a pergunta que não quer calar: como lidar com o sumiço, uma vez que não podemos controlar ou prescrever os sentimentos do próximo? Seguem as dicas:

  • Seja transparente com o que busca

Fale explicitamente o que você quer, independentemente do que o outro venha a pensar. Seja sempre honesta(o) com os seus propósitos e sentimentos, é isso que importa. Quer um relacionamento sério? Fale! Quer um relacionamento aberto? Fale! Quer uma relação monogâmica? Fale! Um ménage à trois? Fale!

Banner com fundo roxo escuro e imagem de fantasma, e escritas falando sobre como se prevenir de um ghosting

Quando você sinaliza o que quer, tudo se torna mais prático e transparente. Então, se a pessoa sumir, você não vai precisar ficar lendo o interdito, saberá prontamente que ela não tem interesse e aí: fila anda, meu amor.

  • Tome decisões rápidas, mas sem precipitação

Se o outro está te cozinhando, desenrole você a situação. Como diz o filósofo contemporâneo: ou caga, ou sai da moita. Questione a outra parte sobre os seus reais interesses e, se estiverem em alinhamento com os seus, por que não marcar um encontro ao vivo e a cores?

Partir para o presencial não te blinda de um possível ghost futuro, mas te dá maior segurança sobre a relação. Ali, na presença um do outro, você consegue tatear melhor se há verdade no que está sendo dito.

Não precisamos nem dizer que o presencial torna o diálogo mais humano e tira aquele ar de respostas mecânicas, vazias de sentimento. Tudo é mais quente e mais íntimo. Logo, tomar a atitude de sugerir um possível encontro pode ser uma forma oportuna de tirar a prova de que tudo aquilo que foi dito no virtual corresponde de fato à realidade.

  • Seja autêntica(o) com você

Quando somos autênticos e verdadeiros com nós mesmos, dificilmente um sumiço repentino pode sinalizar a nossa queda emocional. Isso porque compreendemos que tudo o que estava ao nosso alcance foi feito da melhor forma que poderia ser feito, dadas as condições que tínhamos naquele momento.

A sua autoconfiança não precisa ser podada deste processo emocional. Você não precisa duvidar da sua capacidade de se envolver e ser suficiente em um relacionamento, porque amar não é questão de merecimento. E para isso é preciso que você seja transparente consigo mesmo e confie naquilo que você entregou.

Confie nas suas ações, nos seus sentimentos e naquilo que você pôde doar ao outro e automaticamente compreenderá que se a outra parte não quis permanecer ao seu lado (seja lá por qual motivo), está tudo bem. Isso diz mais sobre o outro do que sobre você.

Bem, é isso, meus amores. Chegamos ao fim de mais um post, se gostou, já compartilha com aquela amiga nas redes sociais que veio chorar as pitangas do perdido que levou do alecrim do pântano. E continue navegando pelo nosso blog para não perder por nada as nossas publicações semanais.

Até mais!

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