feminismo e machismo juíza e homem das cavernas

Feminismo é o contrário de machismo? Entenda as diferenças!

A equipe Dona Coelha ama uma bagunça e é especialista em fazer a festa acontecer. Mesmo assim, também adoramos um bom papo sério que tem aquela pegada nos neurônios, te joga na teoria e te faz dar aquela pensada violenta. Hoje a pauta é dessas!

O assunto do post é o feminismo e sua definição. Afinal, mesmo com toda a discussão envolvendo esses conceitos em diversas esferas da sociedade, uma pesada nuvem de desinformação e má interpretação ainda impede que muita gente se identifique com o movimento feminista.

Pra acabar com essa história, vamos explicar pontos importantes como as diferenças entre o machismo e o feminismo e o significado de uma opressão estrutural. De quebra, vamos desbancar os mitos do femismo e do humanismo, tudo isso com base nos estudos sociais. Preparadíssimo? Então pega o caderninho, a caneta e pode sentar pro aulão!

Machismo e feminismo: afinal, quem é quem?

piramide machismo homem com bola de futebol mulher com bola de futebol

Pra deixar muito claro, vamos responder de maneira direta: não, o feminismo não é “machismo para mulheres”. Machismo e feminismo são conceitos relacionados, mas nunca foram opostos.

O machismo, por definição, é um sistema social e histórico de opressão estrutural que privilegia homens e oprime mulheres. Ele se dá pela crença cultural de que as características tradicionalmente entendidas como masculinas são superiores aos traços comumente associados ao feminino.

Se estabeleceu historicamente pela influência do patriarcado, outro sistema social em que os homens adultos mantém o controle sobre o restante da sociedade através do monopólio sobre as maiores posições de poder: na família patriarcal, por exemplo, a autoridade do pai se sobrepõe à mãe e aos filhos.

Na sociedade e sua história – que imita a família como um espelho – apenas homens podiam ser reis, papas, chefes, inquisidores… Apenas os homens podiam ter propriedades, votar e trabalhar.

Durante muito tempo, mulheres passavam da tutela do pai à tutela do marido, e seu status social permanecia igual ao de uma criança durante toda a vida. Isso significava que não podiam decidir por si mesmas: não podiam ir e vir livremente, não podiam escolher com quem se casariam nem se teriam ou não filhos.

A partir daí, já deu pra ver que o machismo não aconteceu da noite para o dia, e ainda há quem diga que tudo isso ficou no passado. Infelizmente, um estrago desses não se desfaz assim tão fácil: hoje, lutamos contra questões como o feminicídio, violência doméstica e violência sexual, isso só pra listar os malefícios mais graves dessa herança terrível.

O feminismo, por sua vez, é um movimento social e político de reação ao machismo. Tá, eu sei, essa resposta aí não ajudou muito. Por isso vamos com calma, por partes:

Primeiro, o feminismo é um movimento social e político. Para que seja um movimento, necessita de gente deliberadamente envolvida em ações variadas para transformar o estado atual das coisas, seja por meio da escolha de lideranças por meio do voto, protestos, estudos, discursos ou estilo de vida – e, geralmente, se faz tudo isso junto! Ao contrário do machismo, não é automático e embutido no status quo, mas exige o esforço combinado e voluntário dos indivíduos interessados.

Depois, o feminismo é um movimento de reação. Ou seja: só existe pois é necessário interromper e reparar os efeitos nocivos do machismo, instaurando um novo sistema social em que mulheres e homens vivam em equidade, compartilhando dos mesmos direitos, deveres, expectativas e liberdades. Isso inclui o equilíbrio na distribuição das posições de poder, o empoderamento sexual e reprodutivo, o reconhecimento intelectual, técnico e financeiro das mulheres.

Só pra reforçar: machismo e feminismo não são opostos! O feminismo é uma ferramenta contra o machismo, e não produz violência ou desigualdade, mas repara os males sociais impostos sobre mulheres e homens submetidos à lógica patriarcal.

Opressão estrutural? Quê???

Para diferenciar machismo e feminismo, muito falamos em uma tal de opressão estrutural. Afinal, o que isso significa?

De acordo com as ciências sociais, para que uma opressão seja estrutural, deve ser parte constituinte da maneira com que uma sociedade funciona. No caso da sociedade ocidental, o machismo é uma das engrenagens que movem nossos processos diários.

Isso quer dizer que essas opressões se aplicam à todos os indivíduos de um construto social. Todos os homens e todas as mulheres, portanto, têm suas vidas atravessadas pelo machismo, mesmo que essas pessoas sejam informadas e conscientes desses fatos.

Aí está outro ponto importante: as opressões estruturais não são aprendidas de maneira consciente ou deliberada, mas estão “costuradas” à nossa maneira de viver. Por vezes, são a própria raiz de instituições, comportamentos e conceitos através dos quais vemos o mundo. São o berço do nosso discurso, nossa linguagem…

Ou seja: ninguém precisa de “aulas de machismo” para reproduzir comportamentos nocivos. Aprendemos tudo isso por assimilação, em todos os ambientes que frequentamos: na família, na escola, no trabalho, nas relações pessoais e públicas.

Jogo de espelhos: como identificar uma opressão estrutural?

Quer complicar ainda mais esse balaio de conceitos? Pois lá vai: as opressões estruturais são paradoxais. Ou seja, quanto mais presentes estiverem em tudo o que fazemos, mais e mais difíceis são de enxergar e identificar.

Por muito tempo, por exemplo, foi natural que mulheres fossem proibidas de trabalhar por seus maridos, e quanto mais mulheres eram afastadas compulsoriamente do mercado de trabalho, mais natural parecia a situação.

Hoje, ainda aceitamos com certa naturalidade que a massiva maioria dos cargos de liderança seja ocupada por homens. Agora, imagine uma empresa hipotética onde, por obra do acaso, 99% dos cargos de chefia são ocupados por mulheres: essa empresa, com certeza, seria alvo de polêmica.

Assim como o machismo, o racismo, a homofobia, a gordofobia e o capacitismo também são opressões estruturais. Todas se interseccionam, atuando sobre a mesma sociedade. Para superá-las, também devemos trabalhar juntos! <3

“Nem machista nem feminista: humanista!”

feminismo humanismo humanista homem meditando

Se o feminismo luta por equidade entre homens e mulheres, por que não lutamos pelo humanismo? Afinal, somos todos humanos, certo?

Esse discurso é bastante difundido e, apesar de bonito e aparentemente lógico, pode ser bastante nocivo. Pra entender, ative aí o que acabou de aprender sobre opressões estruturais. Desse jeito, tudo fica mais fácil!

Pense bem: se o machismo é uma opressão estrutural, compartilha daquela característica que o torna natural e difícil de identificar. Como um temperinho indigesto bem misturado ao prato, fica difícil dizer exatamente o que causa um gosto tão estranho ao paladar. Nesses casos, para combater de fato o inimigo certo, os nomes fazem toda a diferença!

Ao usar o termo “humanista”, não estabelecemos personagens sociais às mazelas que tentamos combater, nem deixamos claro o grupo que se deve proteger. A probabilidade de que não estejamos combatendo nada aumenta estratosfericamente.

O contrário de machismo, então, é o femismo?

A palavra “femismo” designa uma crença filosófica que coloca as características femininas como superiores e dominantes em relação às características masculinas. Em sentido estrito, portanto, o termo é um bom candidato ao posto de antônimo do machismo.

O problema, porém, está no fato de que o femismo nunca se concretizou historicamente. Para os estudos sociais, portanto, o femismo não existe: é um mito, um construto filosófico, que nunca teve impactos reais como os de uma violência estrutural.

O que se observa, porém, é que o termo surge em discussões que envolvem ações feministas pouco aceitas pelo status quo. Coloca-se o selo femista sobre atitudes feministas que o senso comum julga ter passado do limite: “igualitário demais isso aí, cancela!!!”

Esse discurso é irmão daquele que afirma ser razoável e necessário apenas o feminismo do passado: “hoje, as mulheres já conquistaram seus direitos e agora desejam ser superiores aos homens”. Aqui, como resposta, plantamos a famosa pulga em sua orelhinha: na época em que as mulheres reivindicaram o sufrágio e conquistaram o direito ao voto, todo mundo também achou “femista”, radical, desnecessário e antinatural.

De maneira geral, é hora de pensar sobre o medo que temos, como sociedade, de rever e transformar privilégios. Esse processo é longo e bem doloridinho, mas vale muito a pena!

Vem com a gente nessa jornada e não perca nenhum dos posts sobre o assunto! Se quiser, bote a boca no trombone e deixe seu comentário. Vamos adorar interagir com você.

Até a próxima, pessoal! <3

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