Transexualidade é uma escolha? A Dona Coelha te explica!

Pessoa com blusa amarela mostrando plaquinha para frente

Todo ser humano nasce com um corpo e, a partir da genitália que o bebê apresentar, registra-se as características biológicas da criança. Tem pênis? Marca-se “sexo masculino”. Nasceu com vagina? Sexo feminino é a resposta na ficha médica. Um procedimento que parece simples, mas que repercute ao longo de toda a vida da pessoa – e a transexualidade nos mostra exatamente isso!

Em um país como o Brasil, em que ser transexual é “motivo” para violência física e psicológica sem consequências, já passou da hora de entendermos a fundo sobre o assunto. Afinal, o conhecimento é o melhor caminho para aprendermos que identidade de gênero não é uma escolha!

Tem dúvidas sobre o tema? Vem com a Dona Coelha desconstruir mais um tabu que impede milhões de pessoas trans e não-binárias de serem respeitadas e acolhidas pela nossa sociedade. Continue a leitura!

Transexualidade: o que é?

Quando falamos sobre transexualidade, nos referimos ao modo como alguém se reconhece com o próprio corpo, entendendo que o sexo biológico não é compatível com o gênero que ela se identifica. Ou seja, a pessoa não reconhece o pênis ou a vagina que faz parte do seu corpo como fator determinante para dizer se ela é do gênero masculino ou feminino.

Podemos dizer que, ao aprendermos mais sobre a transexualidade, saímos dessa visão fechada de mundo em que se foca apenas em “homem” como sinônimo de “ter pênis” ou “mulher” como “ter vagina”. A transexualidade nos lembra de que a nossa essência e quem somos está em nosso interior, e não sob as expectativas que a sociedade estabelece para nós.

O que nos leva a entender porque muitas pessoas têm dificuldades para aceitar o próprio corpo desde os primeiros anos de vida. Portanto, a pessoa trans pode vivenciar as seguintes situações durante seu processo de identificação:

Infográfico com artistas

  • Nasceu com um corpo do sexo masculino, mas se reconhece como mulher transgênero;
  • Seu corpo é biologicamente feminino, mas se reconhece como homem transgênero;
  • Nasceu com o sexo biológico masculino ou feminino, mas não se reconhece nem como mulher ou homem, e sim como não-binário;

Percebe como a questão trans é delicada e esbarra em vários preconceitos ao mesmo tempo? Como já aprendemos por aqui no blog da Dona Coelha, a identidade de gênero está associada a fatores sociais, culturais e históricos que estão sempre em movimento, adaptando-se às novas realidades que a sociedade percorre.

Quando surgiu o termo transexualidade?

A primeira menção ao termo “transexual” vem da contribuição do médico endocrinologista Harry Benjamin, em 1953. O norte-americano passou a diagnosticar com essa denominação as pessoas que desejavam trocar de sexo, mesmo quando o corpo estava saudável, pois alegavam não se identificar com a próprio estrutura corporal. Contudo, o contexto do surgimento da transexualidade tem como pano de fundo uma visão preconceituosa!

Quando finalmente se reconheceu a existência da transexualidade, a comunidade médica passou a lidar como uma doença que deve ser tratada a todo custo. Uma demonstração bem óbvia de que as pautas abordadas pela educação sexual são bem recentes em todo o mundo!

Porque a transexualidade não é doença?

A transexualidade não é doença pois não há nada de errado no funcionamento do corpo da pessoa trans. O seu direito em ser reconhecida pela sociedade como pertencente a outro gênero tem origem no modo como ela mesma se enxerga e se comporta.

Imagem com redação sobre transexualidade não ser doença

Infelizmente, a noção de que gênero é uma construção social e não ser definido pelo aparelho reprodutor ainda é recente em nossa história. E quando consideramos o posicionamento de grandes instituições, a evolução da pauta é ainda mais lenta! Em 2018, a Organização Mundial da Saúde (OMS) orientou a retirada da transexualidade da seção de patologias do Código Internacional de Doenças (CID).

Sim, você leu exatamente isso: a mudança ocorreu apenas em 2018, em pleno século 21! Por isso, faz sentido todas as lutas e reivindicações que o movimento LGBTQIAP+ vem realizando nas últimas décadas. É preciso tirar a invisibilidade dessa pauta e trazer para nosso cotidiano, assim conseguimos falar sobre sexo, prazer e saúde sem medo ou baseando-se em mitos.

Já ouviu falar de transição de gênero? Saiba o que é!

De forma resumida, a transição de gênero é a solução encontrada para a pessoa trans adequar seu corpo ao gênero com o qual ela se identifica. Nas entrelinhas, isso significa que há uma série de procedimentos médicos e judiciais que podem auxiliar as mulheres ou os homens trans a viverem com mais saúde física e mental, além de facilitar a sua socialização.

Portanto, a transição de gênero ocorre quando a pessoa trans decide:

1) Realizar mudanças reversíveis

Consiste em adotar um estilo visual com roupas e acessórios que geralmente são reconhecidos como masculino ou feminino, de acordo com o gênero que a pessoa trans se identifica. Essas mudanças reversíveis também podem incluir estilizar o corte de cabelo, usar maquiagem e escolher o seu nome social exercendo o seu direito previsto em Constituição!

2) Optar por mudanças parcialmente reversíveis

Nesse momento, as mudanças passam a acontecer não somente na escolha de roupas e cosméticos. As ações parcialmente reversíveis também ocorrem no funcionamento do organismo da pessoa transgênero.

Um exemplo disso é o efeito que a terapia hormonal feita sob orientação médica capacitada tem, regulando os níveis das substâncias que o próprio corpo produz. Além disso, existe a possibilidade de oficializar a mudança de nome em documentos oficiais para que seja reconhecida judicialmente a troca de gênero.

3) Buscar mudanças irreversíveis

Estamos falando de intervenção cirúrgica! A evolução da medicina tornou capaz a invenção de procedimentos seguros que modifiquem os órgãos sexuais da pessoa trans de acordo com o sexo biológico que ela se identifica. Cirurgias como vaginoplastia, neofaloplastia, mastectomia e histerectomia são comuns nessa etapa.

Uma informação que vale a divulgação: o Ministério da Saúde oferta gratuitamente o processo chamado Transexualizador a todos os brasileiros! Por meio do SUS, é possível receber acompanhamento de diversos especialistas e amparo para realizar os procedimentos cirúrgicos

O Ministério da Saúde informou que “desde 2008 oferece o processo transexualizador pelo SUS”. Esses procedimentos incluem acompanhamento multiprofissional e hormonioterapia. Para procedimentos cirúrgicos, a idade mínima é de 21 anos. Após a cirurgia, deve ser realizado um ano de acompanhamento pós-cirúrgico. Depois disso, o cuidado em saúde deve ser prestado pelos serviços da rede de saúde, conforme a necessidade do usuário”.

Qual a diferença entre transexual e transgênero?

Como vimos, transexual é uma expressão que denomina pessoas que não se sentem pertencentes ao gênero biológico atribuído por suas características de nascimento.

Já o termo transgênero é mais amplo. Ele é utilizado para indicar todos os indivíduos que não se identificam com seu gênero biológico. Também são incluídas no grupo de transgêneros as pessoas que são travestis e aquelas que não se identificam com os gêneros conhecidos.

Conclusão: muitos crimes contra a população trans são divulgados com outras causas que não a LGBTfobia, incluindo as pessoas desaparecidas e as cenas de crime forjadas. Para isso acontecer de maneira positiva e eficaz todos nós, ou seja, a sociedade como um todo, precisa de orientação e conhecimento para se desconstruir e enxergar a pluralidade que nos rodeia!

Viu só como esse assunto é importantíssimo de ser discutido? Afinal de contas, é exatamente com diálogo e conhecimentoque a sociedade em que estamos inseridos irá ser transformada. Precisamos falar sobre esse e outros assuntos tão relevantes, como é o caso da pansexualidade, que deve ser compreendida sem julgamentos.

O que achou do post de hoje? Esperamos ter promovido boas discussões e análises sobre o assunto. Acredite, a reflexão é um dos aspectos mais importantes para mudar a visão que temos sobre uma temática.

Por hoje é só, até a próxima!

Um comentário sobre “Transexualidade é uma escolha? A Dona Coelha te explica!

  1. Amigo disse:

    A “Diversidade” vem postulando direitos e, na questão da Transexualidade, ao meu ver, falta o acesso à hipnose para regressão a fase intrauterina e por conseguinte a memória fetal! Digo isso porque todos nós (eu e meus irmãos) fomos aguardados do gênero feminino e, na concepção física! Numa época sem USG, para saber o “sexo do bebê”! Os que casaram, em relação aquela máxima “sim, senhora” vão além disso: com ela, como que até “determinando” os dias de transarem Já, outrora, uma tia nossa, em que falávamos sobre ausência de próstata, se era a situação de um dos irmãos casados, ai eu disse talvez não porque tem a prole!!! Como ela era de falar de sexualidade, imagino a “saia justa” na conversa com meu irmão! Um dos meus irmãos, além de trejeitos femininos, chegou a ser um homo passivo de muitos parceiros e disse que “operou” a próstata e que estaria já bem “fragmentada” a glândula!!! O meu exemplo, possa avalizar minha sugestão de priorizar a memória fetal, na avaliação para começar (ou não) o procedimento da Transexualidade: na pré adolescência até paquerei uma colega que nem precisou “desenhar” que não corresponderia, ao beijar colega nosso, no portão da casa em que morava! Já a minha primeira ejaculação foi motivada pela atração que as pernas de um colega (cor de jambo) me despertou! Mais adiante, colegas de trabalho, homens, vinham conversar comigo e até um dos meus irmãos casados, começou a me telefonar, assim que fui morar sozinho e disse: “Teu corpo viril com pelos e voz grossa, porém o único irmão que percebeu tua feminilidade no conversar tenha sido ele”! Na Faculdade, 27 anos e virgem “geral”, foi um colega que até já havia sido noivo, sugeriu namoro (embora, poucos comentem, há homens que se “candidatam” a iniciar outro homem)! E foi no quarto dele, na casa dos pais, que ele penetrou. O prazer que senti, na iniciação, foi mais fisiológico: carícias dele e beijos, me acenderam, mas não que eu estava ansioso pelo momento (afinal teria iniciado a vida sexual, bem antes)! Em relação ao meu irmão homo, eu nunca tive sexualidade aflorada por homem. Inclusive quando comentam que bissexuais buscam travestis para penetra-los, já em relação a mim ouvi “deles” depois de conversar, aquele momento de homem desestressado e se “chega”, para começar preliminar!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

usamos cookies melhorar a sua experiência no site. Ao continuar navegando, você concorda com a nossa Política de Privacidade.