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O que nunca te contaram sobre heterossexualidade compulsória

Nesse rolê trabalhoso e necessário da luta feminista – que envolve mudar o mundo e melhorar as condições de vida para mulheres e homens – precisamos de todos os aliados e ferramentas disponíveis: representações, instituições, comportamentos, discursos…

Para ajudar a pensar com clareza e saber como agir, existem alguns conceitos bem importantes e pouco discutidos dos quais devemos nos apropriar. Esse é o caso da heterossexualidade compulsória.

Já viu que o papo de hoje é sério de novo, né? Vamos tratar do conceito de maneira didática, explicando que é, como funciona e por que combatê-la é importante ao feminismo.

Vem com a gente aprender mais um pouco e desconstruir esse mundão!

Heterossexualidade compulsória: o que é?

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Basicamente, a heterossexualidade compulsória é o nome que se dá ao poder exercido pela sociedade para que homens e mulheres mantenham apenas relações heterossexuais, ignorando suas reais vontades e inclinações. Sim, a gente tá querendo dizer que a heterossexualidade é forçada sobre as pessoas.

Essa coerção não é física, legal ou objetiva – ou seja, ocorre de maneira velada, embutida em nossas instituições. É parte da maneira com que educamos os novos membros da sociedade e se perpetua em suas vidas adultas, com uma série de comportamentos e ideias que corroboram a norma.

Há quem diga que o termo heteronormatividade é um sinônimo completo, mas acredito que seja um conceito muito próximo bem útil à discussão. Trata da condição de normalidade conferida à heterossexualidade; um selo de aprovação que diz “esse comportamento é saudável”.

Ser heterossexual, portanto, é a norma. É a condição primeira e natural a partir da qual outras existências desviantes podem surgir – mas não deveriam. Por consequência, uma aura de doença e anormalidade é posta sobre as formas diferentes de se relacionar. E aí, já viu: o que é doente, defeituoso e anormal sempre deve ser corrigido.

De maneira geral, todos os membros de nossa sociedade são atingidos por esse problema: homens e mulheres, heterossexuais (“de verdade”) ou não.

Agora, você deve estar se perguntando: se a heterossexualidade é compulsória – ou aplicada contra a vontade – como ela se aplica a pessoas que se sentem de fato atraídas pelo sexo oposto?

Calma, a gente explica tudo:

Como funciona a heterossexualidade compulsória

Aí que mora o mistério. A grande questão a se considerar é que o sistema não estipula uma atração obrigatória pela pessoa do sexo oposto, mas sim por todos os comportamentos, símbolos e características estereotipadas do gênero oposto.

Para mulheres, portanto, é exigida a atração pela masculinidade padrão: dominância, força, violência, autoritarismo, insensibilidade emocional, etc… Aquele famoso pacote da masculinidade tóxica.

Homens, por sua vez, devem ser atraídos por comportamentos e características tradicionalmente concebidas como femininas: delicadeza, fragilidade, cuidado, passividade, submissão… e lista continua.

Sobretudo, além de estipular os elementos de atração que devem marcar presença no subconsciente de cada um, a heterossexualidade compulsória nos incentiva a corresponder cada vez mais aos estereótipos que nos foram colocados. Homens devem ser cada vez mais “masculinos”; mulheres, cada vez mais “femininas”.

O problema é que esses estereótipos são profundamente hierarquizados. De fato, só faz sentido conceber essa problemática de acordo com a lógica do patriarcado. Esses comportamentos separados e bem definidos são tão incentivados pois, dessa maneira, fica bem mais fácil perpetuar opressões sobre as mulheres, lésbicas ou não.

Por que combatê-la é importante ao feminismo

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Tudo em nossa vida se relaciona. Por isso, a lógica opressiva gerada por esse sistema se reproduz em ambientes da vida que consideramos estar bem distantes dos relacionamentos românticos. Os âmbitos pessoal e político estão sempre em contato…

A heterossexualidade compulsória é um dos fatores que perpetuam relações nocivas entre homens e mulheres na sociedade, nas relações políticas e de trabalho, por exemplo.

Mesmo de maneira não voluntária, homens reproduzem seu autoritarismo aprendido sobre as mulheres com quem interagem nos mais diversos ambientes. Elas, por sua vez, respondem de forma submissa ou passiva, obedecendo aos estereótipos colocados desde a infância.

O pior: esses comportamentos são dados como naturais, repetidos ao longo de séculos, criando uma estrutura sólida e invisível, difícil de desconstruir. Perceber seu potencial nocivo pode ser bem difícil à maioria das pessoas.

A heterossexualidade compulsória também sustenta relacionamentos abusivos, em especial aqueles em que o abusador é o homem e a mulher é a vítima. Já dá pra imaginar o que acontece quando os comportamentos submissos são impostos às mulheres, enquanto a dominância e autoritarismo são incentivados aos homens.

Como o sistema promove o apagamento da experiência lésbica

Como já discutimos, a heterossexualidade compulsória marca de forma triste a vivência de todas as mulheres. De forma especial, porém, oprime as pessoas LGBT. Dentro desse grupo, a experiência de mulheres lésbicas é a mais afetada.

Devemos lembrar que a homossexualidade feminina é uma das transgressões mais bruscas da lógica patriarcal, e por isso é muito punida pela sociedade. O preconceito, o não reconhecimento e a objetificação são algumas das violências que o sistema usa para calar as mulheres lésbicas.

Dentro de todo esse contexto, fica especialmente difícil reconhecer uma identidade tão silenciada e punida. É comum, por exemplo, ouvirmos histórias de mulheres lésbicas que só descobriram sua sexualidade aos 30, 40 ou 50 anos, depois de uma vida sem grande felicidade amorosa, mantendo relacionamentos frios.

O que acontece é que um dos mecanismos da heterossexuallidade compulsória é o apagamento de qualquer diversidade sexual. Sem representatividade na mídia ou na vida, a possibilidade de uma sexualidade diferente permanece inacessível a quem assim se identificaria.

De qualquer maneira, assumir-se homossexual exige coragem – em especial no Brasil, um dos países que mais mata LGBTs. Só dá pra mudar esse cenário com muita ação e informação.

Quer conhecer mais conceitos e esticar seu vocabulário sobre feminismo? Esse é um dos assuntos preferidos do blog da Dona Coelha, que tem atualizações semanais. Fique atenta pra não perder nada.

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Até mais, pessoal. Esperamos vocês na próxima!

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