Entrevista com Luciana Walther – autora do livro Mulheres que não ficam sem pilha

Tivemos um super lançamento esse ano: o livro ‘‘Mulheres que não ficam sem pilha” da Dra. Luciana Walther. Ele fala sobre o consumo erótico feminino no Brasil, fruto de tese de doutorado dela, onde fala sobre o consumo erótico no Brasil e as mulheres que utilizam estes produtos sensuais.

A autora salienta no livro o peso da cumplicidade e das confissões entre as mulheres, versando, por exemplo, sobre relações intergeracionais, com depoimentos de mãe e filha que frequentam o sex shop juntas.

Vamos saber mais?

1. Quem é a Luciana?

Sou doutora e mestre pelo COPPEAD/UFRJ. Trabalho como pesquisadora e professora efetiva na UFSJ. Desde 2007, investigo consumo erótico feminino, tendo apresentado os resultados de meus estudos em congressos nacionais e internacionais. Meu artigo científico mais recente foi publicado no Journal of Business Research e trata das transformações identitárias da consumidora de produtos eróticos. Sou autora do livro “Mulheres que não ficam sem pilha: como o consumo erótico feminino está transformando vidas, relacionamentos e a sociedade”, publicado pela Editora Mauad em janeiro de 2017.

2. Por que buscar informações sobre nós, mulheres?

No livro “Mulheres que não ficam sem pilha”, descrevo os resultados de minha tese de doutorado cujo tema foi consumo erótico feminino, defendida no Instituto COPPEAD de Administração da UFRJ. Na área acadêmica da Administração, as pesquisas científicas de marketing têm ignorado a sexualidade do(a) consumidor(a). O motivo é o tabu. Pois não se pode negar que haja vários produtos sendo consumidos antes, durante e depois do ato sexual. Investigar as práticas de consumo e de marketing desses produtos pode levar a descobertas tanto comerciais quanto sociais. Em outros campos acadêmicos, como a Antropologia, a Sociologia, a Psicologia e a Medicina, pesquisa-se sexualidade.

Então, em Administração, não podemos mais ignorar a interface entre consumo e sexualidade. Quando encontrei o dado estatístico de que 70% da clientela dos sex shops no Brasil são mulheres, percebi que poderia focar minha pesquisa no gênero feminino e tentar descobrir quem era essa consumidora, como ela pôde emergir em uma cultura que guarda ainda tantos traços patriarcais, e quais mudanças ela provoca na indústria erótica e na sociedade.

3. Você acredita que o sexo feminino é frágil quando o assunto é o autoconhecimento do próprio corpo?

Segundo meus achados de pesquisa, autodescobrimento é um dos maiores ganhos da participação feminina na arena do consumo erótico. Várias consumidoras que entrevistei descreveram o aprendizado sobre si mesmas e sobre sexualidade proporcionado por suas interações com produtos eróticos. Isso denota que, mesmo já adultas ou maduras, ainda havia aspectos de seus corpos que desconheciam. Uma entrevistada de 59 anos, recém-separada de um casamento de mais de 30 anos, disse que vinha descobrindo prazeres que não sabia nem que existiam. Outra entrevistada contou que obteve seu primeiro orgasmo com o uso de um massageador elétrico para a estimulação do clitóris, aos 28 anos, depois do término de um casamento e de longos namoros. Vendedoras entrevistadas disseram que, frequentemente, precisam explicar detalhes anatômicos para suas clientes. Então, ainda há muita ignorância sobre a sexualidade feminina. E há também o medo de parecer ignorante. Mas minhas entrevistadas foram corajosas e admitiram o que não sabiam e passaram a saber depois de se conhecerem melhor por intermédio do consumo erótico.

4. O que falta nas relações sexuais visando o lado feminino?

Falta a derrubada dos tabus e das noções equivocadas sobre a sexualidade feminina. Minha pesquisa mostrou que homens e mulheres podem resistir ao consumo erótico feminino. Homens resistem ao vibrador por medo de substituição, medo da comparação do tamanho do aparelho com o tamanho de seu órgão genital, medo da autonomia sexual feminina. Mulheres resistem ao vibrador por medo do vício. Porém, meus achados mostraram também que tais medos são desnecessários. Mulheres não pretendem substituir homens pelo vibrador. Para elas, relacionamentos são imprescindíveis. E nenhuma delas relatou vício no uso individual do vibrador. Então, não há o que temer.

Esses tabus deveriam cair por terra. Com relação às noções equivocadas sobre a sexualidade feminina, há séculos, mulheres e homens propagam uma ideia de normalidade sexual que, no fim das contas, é prejudicial para a mulher. O ato sexual “normal” se iniciaria com preliminares, passaria pela penetração da vagina pelo pênis e culminaria no orgasmo masculino. Fim. Essa é uma visão masculina do ato sexual, que ignora as necessidades femininas. Muitas mulheres não atingem o orgasmo dessa forma.

O clitóris precisa protagonizar a relação sexual, que deve ser entendida do ponto de vista feminino. E, se vibradores forem incorporados ao ato sexual, sem resistência masculina ou feminina, a mulher só tem a ganhar em prazer. Isso porque a indústria erótica já abandonou a visão androcêntrica do prazer feminino e tem desenvolvido produtos que priorizam o clitóris como órgão produtor dos orgasmos nas mulheres.

5. Como é a mulher que não fica sem pilha?

Entrevistei mulheres dos 22 aos 59 anos, de variadas cidades, estados civis, orientações sexuais e classes sociais. As vendedoras e proprietárias de sex shop que entrevistei disseram não haver um padrão para as mulheres que entram em suas lojas. Eu diria, então, que a mulher que não fica sem pilha é uma mulher normal. Como qualquer outra. E que, em algum momento de sua vida, deixou o preconceito de lado (se é que o possuía) e se aventurou num universo no qual só tem a ganhar. Do contato com os produtos eróticos, ela emergiu transformada. Mais conhecedora de si mesma, mais segura, mais realizada em seus relacionamentos. A mulher que não ficam sem pilha é protagonista e autora do próprio prazer.

6. Qual foi sua maior inspiração para seu livro?

A inspiração foi uma disciplina que cursei no início de meu doutorado, com a Professora Mirian Goldenberg, que é antropóloga e, posteriormente, veio a se tornar orientadora da minha tese. O conteúdo estudado tratava de corpo, gênero e sexualidade na cultura Brasileira, sob a ótica de Gilberto Freyre. Entendi que poderia usar o conhecimento ali construído para analisar as butiques eróticas femininas e sua consumidora.

7. Qual o grande propósito da obra para o universo feminino?

Combater os preconceitos associados à sexualidade da mulher. Mostrar que o exercício da sexualidade feminina, com ou sem produtos eróticos, não deveria ser motivo de vergonha, sofrimento ou culpa. Deixar claro que a busca do prazer pode ser um dos maiores fatores de autoconhecimento, liberdade e felicidade das mulheres e também de seus parceiros. Esses são os objetivos sociais do livro. Além deles, minhas descobertas de pesquisa podem ajudar empresários da indústria erótica, oferecendo informação científica, rica e detalhada sobre suas consumidoras.

8. Algumas mulheres não gostam de sexo. Ou acham que não gostam. O que você acha que está impedindo nessa descoberta do prazer sexual?

Sobra preconceito. Falta autoconhecimento. A informação pode ser a solução para os dois problemas. Ela pode vir por intermédio das instituições formais de educação, que deveriam tratar de sexualidade de forma científica e mais aberta. Pode vir por meio dos veículos de comunicação em massa, que têm grande capilaridade no país e atingem todas as classes sociais. Pode vir de políticas públicas. Pode vir da própria indústria erótica, que já faz esforços educativos ao oferecer cursos que tratam desde autoestima a pompoarismo. E pode ser propagada também pela consumidora, quando ela relata para suas amigas e seus parceiros as descobertas feitas sobre sua sexualidade.

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2 comentários sobre “Entrevista com Luciana Walther – autora do livro Mulheres que não ficam sem pilha

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