Dor no clitóris: possíveis causas e cuidados essenciais

Mulher com mão da região do quadril e cara de dor por causa do clitóris

Sentir dor no clitóris pode ser sinal de diferentes disfunções na região íntima. Ela pode indicar alergias, inflamações, doenças e até que aquele jeans do dia a dia está muito apertado. Afinal, o clitóris é um órgão extremamente sensível. Assim como as suas milhares de terminações nervosas podem dar muito prazer, também podem aflorar a sensação de desconforto.

Algumas pessoas sentem uma dorzinha até mesmo após o sexo ou a masturbação, o que é incômodo. Por isso, hoje eu vou explicar quais as possíveis causas da dor no clitóris e cuidados para se ter. Mas, antes de irmos para o conteúdo, uma ressalva importante: consulte um especialista da saúde se algo estiver errado com a sua vulva, nada substitui o cuidado profissional quando o assunto é saúde, tá bom?

Meu intuito aqui é apenas te informar e não diagnosticar. Dito isso, vamos entender mais sobre esse assunto!

Principais causas de dores no clitóris

No geral, quando sentimos dor no órgão do prazer, pode ser sinal de algum tipo de inflamação ou disfunção. Mas a origem dessa condição pode variar de acordo com hábitos de saúde e cuidados íntimos. Entenda mais:

1- Vulva e clitóris inflamados

Como comentei, a inflamação é o que mais gera dor no clitóris e ela pode ser reflexo de uma inflamação mais geral na área genital. Infecções como candidíase e herpes genital são apenas dois exemplos que, se não receberem os cuidados necessários, podem se estender pela vulva, incluindo o clitóris. A dor vem junto com maior sensibilidade e inchaço no órgão, o que aumenta o desconforto no dia a dia.

Como sexóloga, posso destacar que o uso de alguns tipos de roupa pode inflamar o clitóris também, provocando dores. Entre as lingeries, por exemplo, os tecidos sintéticos são os mais problemáticos, por isso sempre indico o uso de calcinhas de algodão. Além disso, peças muito justas pioram a condição, como aquelas calças jeans bem apertadas. Isso porque as peças geram atrito com a vulva, o que a machuca, além de prejudicar a transpiração da pele na região.

2- Vulvodínia

Cará, Mazzocchi e Marques (2018), explicam que a vulvodínia é uma condição de dor crônica na vulva. Ela é acompanhada de queimação, mas não de inchaço, por isso, parece não ter uma causa clara num primeiro momento. Para os estudiosos, essa disfunção é causada por diferentes fatores, como disfunções no desenvolvimento do embrião, aumento de oxalato de cálcio no xixi, mudanças hormonais diversas e até neuropatia, isto é, alguma disfunção nos nervos. Eles destacam que essa não é uma condição que surge a partir de infecções e isso é importante porque facilita a diagnosticar (se você tem uma infecção, não tem vulvodínia por causa dela).

Ainda, os autores explicam que, se não tratada adequadamente, a dor pode se espalhar por toda a vulva, o que provoca dores espontâneas e aleatórias. Conforme mostra a FEBRASGO (Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia), a vulvodínia dura pelo menos 3 meses e só é possível identificá-la excluindo outras possibilidades (como as infecções), por isso, o diagnóstico tende a ser difícil, às vezes, pode levar anos e exigir uma equipe multidisciplinar pro diagnóstico correto e a definição do tratamento.

A instituição federal indica, com base em estudos científicos, alguns cuidados básicos para tratar a condição: usar lingeries de algodão, usar produtos neutros para higienização e somente lubrificante à base d’água! Essa última dica é constante por aqui, pois os lubrificantes de água tendem a não gerar alergias – saiba mais neste post: Qual melhor lubrificante à base de água? E de silicone?

3- Alergia a produtos íntimos

E por falar nos produtos hipoalergênicos, existem aqueles que podem gerar irritações e alergias na vulva que, se não cuidados, fazem com que seu clitóris fique doendo. Situações alérgicas tendem a estar em toda a vulva, e não em uma parte única dela, e aí é aquela vermelhidão, coceira e pode até arder.

Quando você usa produtos que comprometem o pH da vulva, como lencinhos com cheiro e aqueles desodorantes íntimos, pode estar se colocando em risco. Até alguns sabonetes corporais podem ser ruins visto que a pele do corpo é diferente da região íntima. Lembre-se sempre de usar produtos antialérgicos e compatíveis com a sua vulva, além de ter delicadeza ao higienizá-la, especialmente quando está irritada – e ainda mais na área do clitóris, que é super sensível.

E não se esqueça também de que a lavagem íntima é apenas na área externa da vulva e o clitóris não pode ser esfregado. Pra higienizá-lo, levante o capuz que o cobre e, delicadamente, passe água caso tenha algum “sebinho”.

4- Muito atrito durante o sexo

Sabe aquele vai e vem muito frenético? Nem sempre ele é bom, na verdade, muitas vezes, ele pode machucar o nosso clitóris. Durante o sexo, quando ficamos bastante excitados, a circulação sanguínea aumenta na vulva e o clitóris fica inchado e mais sensível. Assim, os toques ficam mais intensos e é mais fácil machucá-lo.

Numa masturbação muito intensa, isso também é um risco, pois o atrito também pode ser grande, seja com as mãos ou com um sex toys. Isso sem falar da falta de lubrificação que pode acontecer durante o sexo – imagine o clitóris inchado, sensível e seco: não tem como não machucar.

Cuidados essenciais quando o clitóris está doendo

Agora que você já sabe as possíveis causas de dor no clitóris, acho importante resumir os cuidados indispensáveis que você deve ter com ele em situações de desconforto e no dia a dia:

  1. O clitóris é sensível e exige um toque delicado para não ser machucado;
  2. Não use roupas apertadas que pressionem o órgão por muito tempo e prejudiquem a ventilação na região;
  3. Faça a higienização correta da sua área íntima, mas tenha cuidado com movimentos muito bruscos e com unhas grandes pra não arranhar ou ferir a pele, que é muito sensível;
  4. Use produtos com pH adequado para a vulva e que sejam hipoalergênicos;
  5. Tenha cuidado com movimentos e toques muito fortes no clitóris durante a relação sexual.

Além desses cinco cuidados básicos do dia a dia, lembre-se de manter a sua visita ao ginecologista em dia para prevenir qualquer problema que possa ser evitado e a dica extra da Gaia, sexóloga especialista em clitóris consultada neste post, é visitar também uma fisioterapeuta pélvica pra saber como está a saúde do seu assoalho pélvico.

Além disso, em casos de dor contínua, procure um médico especialista para ter as orientações certas para o seu caso, nada de copiar o tratamento de uma amiga – cada caso é um caso!

Gostou deste conteúdo? Então, você pode se interessar por outros posts que falam dos cuidados com a saúde sexual da vulva. Confira este post sobre como se limpar depois da relação sexual e cuide-se a todo momento!

REFERÊNCIAS:

CARÁ, V. M.; MAZZOCCHI, L.; MARQUES, F. Z. C. Manejo da dor vulvar – Vulvodínia. 2018. Disponível em: <https://docs.bvsalud.org/biblioref/2018/02/879721/manejo-da-dor-vulvar-vulvodinia-valentina-metsavaht-carau.pdf>. Acesso em 11 ago. 2022.

FEDERAÇÃO BRASILEIRA DAS ASSOCIAÇÕES DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA. Vulvodínea: atualidades. Disponível em: <https://www.febrasgo.org.br/pt/noticias/item/763-vulvodinea-atualidades>. Acesso em 11 ago. 2022.

Publicação em colaboração com:
Foto de sexóloga gaia com ursinhos de clitóris

Gaia Qav
Sexóloga especialista em clitóris

Gaia é a idealizadora e CEO do projeto Meu Clitóris Minhas Regras e criadora do coletivo É DO CLITÓRIS. Mulher das exatas que estuda as humanas, questionadora digital e worklover nas horas vagas, é uma eterna pesquisadora dos mistérios do corpo com o clitóris e seu potencial orgástico.

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